terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Charles de Foucauld e o eremitismo

“Aprecio cada vez mais os encantos da solidão e estou tentando descobrir como entrar em uma solidão cada vez mais profunda”.
Charles de Foucauld
O eremita francês, bem-aventurado Charles de Foucauld permanece como um sinal de contradição. Estudiosos colocaram Foucauld entre os “santos” cuja visão religiosa cresceu com uma sabedoria e conhecimento íntimo de uma fé diferente. A prática literal das virtudes morais de Foucauld, em última análise, colocou-o entre os pobres e oprimidos como solitário peregrino. Sua vida enigmática deixa um legado de abissal heroísmo. Motiva uma fé radical a Cristo, no Evangelho, nas missões, no amor aos mais distantes e abandonados. É de suma importância ressaltar seu exemplo eremítico que comove de forma imensurável o abandono total ao Senhor bom Deus e também instiga a vocação especial para vida eremítica.
Disse Charles de Foucauld: “Eu amo o deserto, a solidão; é tão quieto e tão saudável; as coisas eternas parecem muito reais e a verdade invade a alma. Estou muito relutante em deixar a minha solidão e silêncio...”
Legado do eremita
Dentro de seu contexto de vida religiosa e de suas intuições de fundar congregações e fraternidades, Foucauld foi reabilitado em parte proporcionar pela sua conversão, integridade pessoal e a transformação do trabalho missionário em "testemunho impactante". Desde a sua morte, o legado de Foucauld refletiu-se no surgimento de sacerdotes operários, no movimento dos Trabalhadores Católicos, do protagonismo dos leigos e, especificamente, no desenvolvimento das fraternidades que ele inspirou -  Irmãozinhos de Jesus e Irmãzinhas de Jesus. A vida e a espiritualidade de Foucauld foram assim de renovação para a Igreja dos tempos modernos.
Os discípulos de Foucauld são hoje pequenas fraternidades de irmãos e irmãs no mundo inteiro. Eles vivem com os pobres, como pobres, no mesmo tipo de trabalho que seus colegas, não revelando suas próprias habilidades, educação, gostos culturais ou conhecimento profissional. Eles deliberadamente não têm nem desejos nem recursos, nem ideologia intervencionista para fazer o contrário, e reconhecem abertamente seus escassos frutos terrestres. Sua intenção é configurar a vida de Jesus em Nazaré: a "vida oculta" da autoanulação em um pequeno ambiente "familiar". Ausente é a atmosfera do nacionalismo, a função civilizadora, do testemunho como ferramentas de conversão, os elementos culturais evangelizador que Foucauld deixou. As pequenas fraternidades estão inseridas no mundo como fermento na massa.
A grande lição que emerge da vida solitária e silenciosa de Charles de Foucauld é sua humildade, sua gentileza e sua bondade. A humildade, a caridade, a renúncia aos prazeres e as boas coisas deste mundo e a devoção ao serviço dos pobres e infelizes são virtudes que sempre impressionaram aqueles que conheceram o apostolado desse eremita.
Escreveu Charles de Foucauld: “Abraçar a humildade, a pobreza, a renúncia, a abjeção, a solidão, o sofrimento, como Jesus na manjedoura. Não se importar com a grandeza humana, ou ascensão no mundo, ou a estima dos homens, mas para estimar os muito pobres tanto quanto os muito ricos. Para mim, buscar sempre o último dos últimos lugares, ordenar a minha vida de modo a ser o último, o mais desprezado dos homens”.
Foucauld amplia o eremitismo com sua consciência de seus conhecidos, por seu ativismo em trabalhar lado a lado com eles, mas permanecendo exteriormente silencioso e interiormente solitário. De qualquer ponto de vista mundano, tanto Foucauld quanto suas fraternidades prontamente admitem seu "fracasso" e preferem seu testemunho, sua incubação em um nível social e moral. "Sucesso" não é o objetivo dos eremitas. O sucesso vem com comunicação, convívio, cooperação, não solidão, silêncio e autoanulação. Mas a vida eremítica dá testemunho de uma verdade mais profunda sobre mudança social, cultural, afetiva e psicológica, sem falar da mudança espiritual.
Charles de Foucauld é uma figura histórica complexa dentro do catolicismo, e da história do eremitismo, ou seja, ele é singularmente moderno e sua vida tem um esforço inconsciente para alcançar um eremitismo ecumênico, um eremitismo universal. O eremita comunga um amor para com todos, ele vive a mística intercessória pela humanidade.
O eremita do mundo peregrino, o eremita da cidade, da aldeia, da periferia ou da cela não podem e não esperam sucesso mundano ou mesmo pessoal. Esse não é o objetivo do eremita. Somente uma consciência do silêncio, do deserto, no eu e nos outros pode ser esperança de vida. A esse respeito, Charles de Foucauld se aproxima desse modelo único de eremitismo. A busca ardente do Absoluto se embriaga na acesse eremítica, na profundidade contemplativa e numa vida de fé que contagia e motiva a nossa vida para Deus.
Meditando
A vida do eremita Charles de Foucauld foi toda centrada em Deus e foi animada pela eucaristia, adoração, vigília, deserto, oração, caridade e serviço humilde, que ele esperava mostrar Jesus Cristo pelo testemunho. Aqueles que são inspirados por seu exemplo, procuram viver sua fé com humildade, com profunda convicção do Evangelho e no amor da Espiritualidade de Nazaré.
Frei Inácio José do Vale
Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas
Fraternidade do Bem-aventurado Charles de Foucauld

sábado, 8 de dezembro de 2018

Menssagem do correspondente

Maria Imaculada
Com a solenidade da Imaculada Conceição de Maria, a Igreja proclama com toda sua fé e esperança, as maravilhas divinas realizadas na Santíssima Virgem. O dogma da Imaculada Conceição, foi uma verdade de fé promulgada pelo Papa Pio IX, em 1854, onde oficialmente a Igreja Católica, após numerosas reflexões, reconhecia que Maria, desde a sua concepção no ventre de Santa Ana, em previsão aos méritos de Cristo, foi preservada de qualquer mancha ou sombra de pecado. Convinha que àquela que outrora gerasse o verbo eterno, tivesse sido preparada para tal ação grandiosa, e assim Deus o quiz e fez, salvando em Cristo, Maria de forma antecipada, para nela ser gerado de forma plena e pura, seu amado filho. Maria foi amada e preparada pelo Senhor, para gerar o autor da vida e da salvação. Por isso, ela é a toda pura e a toda santa e nossos louvores nunca serão suficientes para bendizer as maravilhas divinas, realizadas nela. São Luís de Montfort bem nos lembra em seu tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem: "Deus juntou todas as águas e fez o mar, juntou também todas as graças e fez Maria!" Quando louvamos à Maria, nossos agradecimentos são à Santíssima Trindade que nela fez sua morada, santificando-a desde sua concepção.
Repitamos como filhos amados a invocação, pedindo os favores desta mãe pura e terna: "À vossa proteção recorremos santa mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó virgem gloriosa e bendita! Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos à vós!"
Prof. Moisés P. Bezerra, Teólogo.

domingo, 11 de novembro de 2018

Mensagem do Correspondente

O Irmão Universal: Carlos de Jesus
À luz da vida e do testemunho do Beato Carlos de Jesus, podemos experimentar no contexto atual a espiritualidade de Nazaré. Viver tal espiritualidade é redescobrir a vida simples, oculta, orante e amorosa do lar de Jesus. Junto à Sagrada Família, queremos crescer como Jesus em sabedoria, estatura e graças, diante de Deus e dos homens. No silêncio do deserto, despojamo-nos de toda vaidade, da falta de comunhão e de nós mesmos, para nos abrir ao irmão, servindo ao Senhor nele, com os sacrifício e as cruzes diárias. Acompanhe-nos a intercessão do Irmão Universal e que seu exemplo seja a cada dia conhecido e imitado por nós seus filhos!
Fraternais Saudações em Cristo,
Prof. Moisés P. Bezerra

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

São Deodato - Papa em Roma

São Deodato, era o guia civil, o juiz, o supremo magistrado, a garantia da ordem

O santo de hoje, cujo nome significa “dado por Deus”, foi por quarenta anos Padre em Roma antes de suceder ao Papa Bonifácio IV a 19 de outubro de 615. Em Roma, o Papa não era somente o Bispo e o Pai espiritual, mas também o guia civil, o juiz, o supremo magistrado, a garantia da ordem. Com a morte de cada pontífice, os romanos se sentiam privados de proteção, expostos às invasões dos bárbaros nórdicos ou às reivindicações do império do Oriente. A teoria dos dois únicos, Papa e imperador, que deviam governar unidos o mundo cristão, não encontrava grandes adesões em Constantinopla.
O Papa Deodato, entretanto, buscou o diálogo junto ao imperador intercedendo pelas necessidades de seu povo e, apesar do imperador mostrar-se pouco solícito para o bem do povo, enviou o exarca Eleutério para acabar com as revoltas de Ravena e de Nápoles. Foi a única vez que o Papa Deodato, ocupado em aliviar os desconfortos da população da cidade, nas calamidades acima referidas, teve um contato, se bem que indireto, com o imperador.
Foi inserido no Martirológio Romano, um episódio que revalidaria a fama de santidade que circundava este pontífice que guiou os cristãos em épocas tão difíceis: durante uma das suas frequentes visitas aos doentes, os mais abandonados, os que era atingidos pela lepra, teria curado um desses infelizes, após havê-lo amavelmente abraçado e beijado.
São Deodato morreu em novembro do ano 618, amado e chorado pelos romanos que tiveram a oportunidade de apreciar seu bom coração durante as grandes calamidades que se abateram sobre Roma nos seus três anos de Pontificado (inclusive um terremoto, que deu golpe de graça aos edifícios de mármore dos Foros, já devastados por sucessivas invasões bárbaras e horríveis epidemia).
São Deodato, rogai por nós!

Ação dos Irmãozinhos


sábado, 3 de novembro de 2018

Mensagem do Correspondente

"Sede Santos, porque o vosso Pai do Céu é Santo"
Na Solenidade de todos os Santos e Santas de Deus, a Igreja Católica nos convida, por meio da ação litúrgica a comemorarmos o testemunho e a vida heróica de numerosos homens e mulheres de Deus, que entregaram suas vidas e esforços na amizade à Jesus e à seus irmãos.
 O evangelho de Jesus é  ao mesmo tempo um convite e uma intimação à vida de santidade. Mas no que consiste a santidade e como alcança-la? Ser Santo não consiste em fazer coisas grandiosas ou extraordinárias, mas viver com simplicidade, silêncio e docilidade as pequenas coisas e valorizar os pequenos gestos do dia a dia. Portanto, o  convite à santidade está endereçado à todos nós, homens e mulheres, jovens e crianças, adultos e idosos, brancos, negros, indígenas, orientais, pobres ou ricos!
A Santidade não é um privilégio de poucos, mas a vocação de todos os cristãos, por isso é necessário um esforço contínuo e uma busca incessante de Deus. Que o exemplo e o testemunho de todos os Santos, em especial do Beato Carlos de Jesus, nos animem e fortaleçam na caminhada da vida.
Cordiais Saudações!
Prof. Moisés Prazeres Bezerra, Teólogo e Vocacionado Oblato da Visitação

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Mensagem do Correspondente

Deus é amor
O centro do cristianismo é o amor, pois o ser cristão não é uma ideologia, uma decisão ética, uma filosofia ou puro romantismo. O ser cristão configura-se em um encontro com uma pessoa; Jesus Cristo. O amor, portanto não é um sentimento vazio, barato ou superficial, mas uma doação, uma entrega, um renunciar constante.
A iniciativa do amor é sempre de Deus, ele nos amou primeiro, quando éramos ainda pecadores.
Não somos dignos de nada, mas o Senhor continua a nos atrair a si e insiste em nos amar. A maior manifestação, ou prova do amor divino é a encarnação do verbo, e a vida de Jesus, entregue na Cruz. Somos frutos do amor e por isso, devemos nos amar e acolher sempre!
O mandamento do amor é uma tomada radical de decisão, ser cristão não é apenas um discurso bonito ou bem formulado, mas a prática da caridade, da compaixão, do acolhimento, da paciência, do perdão, da cordialidade, do cuidado, da gentileza, da afetuosidade, da alegria, da oração, enfim, de viver as pequenas coisas do dia a dia, como sinais da misericórdia divina.
Que nesta semana, cada um (a) se avalie e perceba como caminha suas relações com os outros, em busca da prática do amor fraterno!
Cordiais saudações!
Prof. Moisés Prazeres Bezerra, Teólogo e Oblato da Visitação.